Já pensou em fazer um seguro para o seu barco? Pois eles existem e valem a pena Tranquilidade não tem preço. Mesmo assim, quase ninguém sabe que o seguro de um barco sai bem mais barato que o de um carro.
Para relaxar de vez saiba como fazer um seguro para seu barco Tão logo se compra um carro novo, corre-se atrás de um seguro. É assim com todo mundo — pelo menos entre aqueles que têm juízo. No entanto, a mesma precaução não costuma ocorrer quando o veículo em questão é um barco. E os motivos para este desdém costumam ser sempre os mesmos. Especialmente, dois deles: 1) não se usa um barco todos os dias; 2) mares e represas não oferecem o mesmo trânsito pesado do asfalto. Procede. Só que as embarcações também não estão isentas de riscos, ainda que bem menores se comparados aos carros. Por si só, este já seria um argumento persuasivo para fazer seguro de todos os barcos. Mas há outro, especialmente sensível ao bolso: seguros náuticos custam bem menos que os dos automóveis — embora barcos sejam patrimônios comparativamente mais caros e valiosos.
Vejamos. Para barcos novos, grandes e, portanto, mais caros, o custo médio do seguro é de cerca de apenas 1% do valor da embarcação. E, para os menores ou usados, não mais que 2%. Trocando em miúdos: o preço da tranquilidade é bem menor do que se costuma imaginar.
Obviamente, ninguém conta com um acidente, especialmente se a manutenção do barco estiver em ordem, se a pilotagem for competente e, sobretudo, se a navegação ocorre em regiões tranquilas. Todavia, mesmo quando tudo parece perfeito, ninguém está livre de um imprevisto. Incêndios, por exemplo, não têm nada a ver com as condições do mar ou a habilidade na navegação e, no entanto, são os sinistros número um no caso dos barcos — sim, bem mais do que naufrágios! "Tudo é inflamável dentro de um barco", explica Reinaldo Murolo, da Murolo Seguros, uma das corretoras mais ativas no segmento de seguros para embarcações. E ele completa, em humorado: "Às vezes até o dono do barco...", numa referência ao hábito de consumir bebidas alcoolicas a bordo. E Murolo continua: "Um incêndio é, talvez, a pior coisa que pode acontecer, porque, em geral, o resultado é a perda total do barco." Mas há outros riscos, naturalmente, como colisões com objetos boiando na água ou pedras submersas, que acontecem com certa frequência. Outro erro frequente é pensar que fazendo o seguro diretamente sairá mais barato.
Qualquer um pode contratar um seguro náutico, dispensando assim os corretores. Mas, isso não é uma boa ideia nem implica economia, porque o recolhimento da taxa de corretagem é compulsório. Ou seja, você irá pagar o mesmo, do mesmo jeito. Além disso, em caso de sinistro, são os corretores que tomam conta do caso e acompanham os trâmites com as seguradoras. Você, portanto, só tem a ganhar contratando o seguro através de um corretor. É claro que ninguém vai deixar de navegar por causa dos riscos inerentes a isso — viver, afinal, já é um risco. Mas, fazer um seguro deve estar nos planos de qualquer postulante a dono de barco. Porque, afinal, prudência nunca fez mal a ninguém.
Duas dúvidas que todo mundo tem:
Como são as coberturas? Na prática, há dois tipos de cobertura: a básica e as adicionais. O primeiro caso engloba acidentes, roubos, avarias, assistência nos salvamentos e perda da embarcação, na maioria das seguradoras. Já as coberturas adicionais são bem mais abrangentes e específicas e podem ser contratadas de acordo com a vontade do dono do barco e negociadas caso a caso.
O que o seguro não cobre? Basicamente, acidentes com pilotos não habilitados, barcos com problemas sabidos de navegabilidade, excesso de pessoas a bordo ou má-fé do cliente ao cobrar um seguro indevido. Mas, ele também pode não ressarcir se constatada explícita imperícia na pilotagem. Ou se um velejador resolver correr uma regata com um barco segurado apenas para fazer cruzeiros.
Por Amanda Denti Da revista Náutica, edição 268
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