Sob o ponto de vista da natureza, não existem diferenças entre o mar de dia ou à noite – só o que muda é mesmo a sua visualização. Um mar não fica necessariamente pior só por que não há mais o sol a iluminá-lo. Pelo contrário, muita gente prefere navegar justamente à noite, porque não se sofre com o calor e o movimento de outros barcos é menor. No entanto, apesar de ser uma experiência tão prazerosa quanto desafiante, a navegação noturna envolve — sim! — mais riscos e, por isso mesmo, exige o dobro de atenção – o que, infelizmente, nem todos os donos de barcos costumam ter. “Navegar sem luzes a bordo, por exemplo, é como atravessar uma avenida de olhos vendados”, definiu, recentemente, o delegado fluvial de Brasília, ao explicar a causa da colisão de duas lanchas, à noite, no lago Paranoá — uma delas estava completamente apagada. Além da imprudência de quem comanda um barco (lanchas, principalmente) em excesso de velocidade à noite (por medida de segurança, o correto é diminuir a velocidade em, no mínimo, 20% em relação ao dia, ou até em 50% em áreas com muitos barcos e obstáculos), há a precariedade da sinalização, já que é freqüente encontrar bóias apagadas. Mas é claro que quando navegamos em águas que conhecemos bem, fica bem mais fácil reconhecer os acidentes geográficos, mesmo à noite. Mas a coisa muda quando a região é pouco conhecida. Apesar dos equipamentos eletrônicos, à noite, a visibilidade limitada é sempre um desafio. Se o mar estiver agitado, então, pior ainda. Mas isso não quer dizer que você só vá para o mar de dia. Às vezes, as singraduras noturnas são inevitáveis. O segredo é redobrar a atenção, aprender a identificar sinalizações e seguir à risca algumas dicas de segurança, como essas:
• Faça um check-up das luzes de navegação. Se uma delas não acender, não deixe para trocá-la depois.
• Evite manter uma dependência cega dos aparelhos eletrônicos, que podem deixar de funcionar sem aviso. Mas não deixe de ter um GPS com chartplotter a bordo.
• Procure partir ainda sob a luz do dia e receber a noite já em mar aberto, porque assim há mais tempo para se acostumar com a escuridão.
• Navegue sempre fora da cabine, porque, apesar do frio, a visibilidade aumenta bastante. E você irá se surpreender como nossos olhos logo se habituam à baixa luminosidade.
• Tente antecipar a seqüência de pontos estratégicos previstos no trajeto. Por exemplo, a que horas encontrará tais faróis e bóias.
• Na hora de entrar em um porto durante a noite, apóie a navegação em cartas e roteiros atualizados. Assim, você evita a dificuldade de distinguir as luzes de balizas, faróis e bóias das luzes da cidade, que se confundem.
• Não saia sem consultar a previsão de tempo. Ela trará mais confiança à travessia.
• Não navegue à noite se estiver cansado. O efeito no corpo humano é mais intenso no escuro do que no claro, já que a tensão também é maior.
• Evite luzes internas no seu barco, porque a claridade atrapalha a pilotagem. Use luzes vermelhas nos instrumentos do painel.
• Use o radar. Ele é quase imprescindível à noite, porque “vê” obstáculos bem antes dos olhos humanos.
• Diminua a velocidade em, no mínimo, 20% em relação ao dia. Quem navega à noite não pode ter pressa.
• Prefira os caminhos mais largos, mesmo que mais longos. À noite, atalhos podem significar maiores riscos.
• Fique atento a sinais de espuma na água, porque eles podem significar arrebentações adiante.
Fonte: Revista Nautica
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